terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Férias é na Globo






Melhor que viajar é ficar assistindo TV jogada no sofá, ainda mais quando a Rede Globo exibe Festival Nacional com excelentes produções brasileira.

O destaque desta nova temporada para; Se eu Fosse Você (“Tela Quente”)
Terça (04) – Divã (“Festival Nacional), Quarta (05) – Casa da Mãe Joana (“Festival Nacional), Quinta (06) – Última Parada 174 (“Festival Nacional) e Sexta (07) – Sexo com Amor? (“Festival Nacional), um belo destaque para a nossa 7ª arte. Outra grande produção foi a série Amor em 4 Atos com histórias emocionantes representadas por nomes admiráveis da nossa TV.

E depois de brilhar nos cinemas, O Bem Amado de Dias Gomes, roteiro de Guel Arraes e Cláudio Paiva e dirigida por Guel Arraes e estrelado por Marco Nanini, Caio Blat, Maria Flor, Bruno Garcia, Andrea Beltrão, Edmilson Barros, Matheus Nachtergaelle, Drica Moraes, Zezé Polessa, Tonico Pereira e com participação especial de José Wilker.

Leite, bom para os ossos




Todo adulto deve consumir de três a quatro copos de leite ao dia O leite é fonte inesgotável de cálcio para o fortalecimento dos ossos, ácido linoléico (CLA) responsável no combate as doenças como; arteriosclerose, diabete e câncer.



Seus benefícios são vitais para o corpo, pois contém potássio. O seu uso frequente ajuda na contração muscular, na formação dos tecidos e músculos. O leite também é um excelente regulador dos batimentos cardíacos, coagulação sanguinea e no funcionamento do sistema nervoso central por conter fósforo.

Principais lutas políticas desenvolvidas no período entre 1945 a 1964



Jornalista Rosa Rodrigues

Hoje gostaria de fazer uma análise das principais lutas políticas desenvolvidas no período entre 1945 a 1964. Quando a república instaurada em 1945, caracterizou-se pela volta das liberdades democráticas, pelo crescimento econômico no setor industrial, pelo populismo e pelo alinhamento com o bloco capitalista.

Pois bem, no governo do general Eurico Gaspar Dutra instalou-se uma Assembleia Nacional Constituinte que representava as forças conservadoras do país. Adotou uma política econômica Liberal, de não intervenção do Estado na economia, abriu o país ao capital estrangeiro. Essa política trouxe prejuízo para a Indústria Nacional, que enfrentou a competição de artigos importados, beneficiando o setor de Comércio Importador.

A dívida externa que havia diminuído no governo Vargas, começou a crescer, a política de contenção dos salários provou greves operárias, com expressões violentas e com intervenções de sindicatos. A Câmara votou pelo fechamento do PCB, em 1947.

Em 1950, Getúlio Vargas do PTB saiu vitorioso e assim cumpriu seus dois governos: populista e nacionalista, tomando posse em 31 de janeiro, num clima de muitas contradições entre burguesia Industrial e Financeira, trabalhadores urbanos e algumas oligarquias estaduais conservadoras.

Durante o seu governo foram aprovados o monopólio estatal do petróleo e a criação em 3 de outubro de 1953 da Petrobrás. Era um governo, com contato direto com o povo e com isso cresce a oposição. João Goulart foi escolhido para assumir o Ministério do Trabalho e reorganizar os Sindicatos, atrelando-os mais ao governo. Em fevereiro de 1954, Goulart propós um aumento de 100% para os salários mínimo, o que degradou os empresários e obrigou Getúlio a demiti-lo. A política de Getúlio não tinha apoio dos EUA, pois dificultava a entrada das multinacionais norte-americanas no país.

O operacionista da UDN Carlos Lacerda, jornalista dono do Jornal Tribuna da Imprensa, acusou Vargas de corrupção. Contava com o apoio da grande imprensa (O Estado de São Paulo, O globo, etc), das Forças Armadas e de Grupos econômicos ligados aos interesses norte-americanos e do próprio governo dos EUA.

Com a morte de Getúlio Vargas em 5 de agosto de 1954, a população se revoltou, apedrejou as sedes da UDN, o consulado norte-americano em algumas capitais e ameaçou invadir a embaixada dos EUA, Lacerda fugiu do país.

Com o suicídio de Vargas, seu vice Café Filho (1954 e 1955) formou um ministério em que a maioria dos ministros da UDN e assim favoreceu a abertura de Capital Estrangeiro.

Os anos JK estabeleceu o que se chama “um Estilo de Governo”. No dizer de Juca Chaves, autor em várias canções satirizou o presidente, tratava-se de um “presidente Bossa Nova”. A verdadeira “Bossa” de Juscelino foi, porém, saber ser um renovado antigo político do PSD que, cordial, hábil e tolerantemente, manteve a ordem, modificou sem alterar, usou o poder sem violência e capitalizou simpatias com cada um de seus atos.

Kubitschek conseguiu, sobretudo, catalisar a esperança dos brasileiros, criando uma mentalidade desenvolvimentista. Era preciso ter os olhos no futuro, despertar a nação, aproveitar suas potencialidades e riquezas (...)

JK fracassou nas áreas da educação e agricultura. No setor automobilístico General Motors, Volkswagen, Mercedes Benz e Ford desenvolveram sobre tudo muito bem concretizando a política desenvolvimentista.

A Capital muda para o Centro-Oeste, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo urbanista Lúcio Costa, Brasília foi inaugurada em 31 de abril de 1960.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) é uma agência especial da Organização das Nações Unidas com sede em Washington. Foi criado para promover a cooperação Monetária entre os países-membros, em dificuldades econômicas temporárias.

O FMI exigiu do Governo brasileiro o combate a inflação, e redução de despesas e o fim dos subsídios par ao trigo e o petróleo, o que provocaria a elevação do preço do pão e do transporte e JK não aceitou as exigências e rompeu o acordo, dificultando o crescimento econômico e este foi perdendo o apoio.

Em 3 de outubro de 1960 foi eleito Jânio da Silva Quadros e João Goulart vice e assim a democracia é ameaçada. Os grupos de esquerda defendiam o socialismo e a luta anti-imperialista, e os de direita estavam ligados aos interesses de grupos econômicos norte-americanos, um governo baseado na luta contra a corrupção, comunismo e a inflação.

O governo de Jango representa um ponto crítico na história brasileira. Seu projeto de reformas procura dar uma face mais humana ao desenvolvimento capitalista no Brasil. Ele ousa transformações na vida econômica e política sem burgueses. Mas sua ousadia era demais para os influentes e poderosos grupos conservadores.

Mas o que mais chama a atenção são os interesses que representavam os principais partidos políticos desse período. Getúlio Vargas quis conduzir o processo de transição da ditadura para a democracia. A oposição do Estado novo era formado por um amplo leque que ia desde a oligarquia aliada do poder pela Revolução de 30 até a esquerda. Essa oposição organizou a União Democrática Nacional (UDN) que, inicialmente, incluía até socialistas. NO entanto, esse partido acabou dominado pela oligarquia e em empresários conservadores.

Com a legalização dos partidos, consequência da queda do Estado Novo, Vargas teria que organizar partidariamente as suas bases de apoio pra sobreviver politicamente. Promoveu, então, a organização de dois partidos.

a) Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que arregimentava a burocracia sindical e os trabalhadores urbanos em geral. Era um partido que se assemelhava do Partido Trabalhista Inglês: operário sem ser socialista.

b) Partido Social Democrata (PSD), que aglutinava grandes proprietários rurais, empresários, financistas e altos burocratas:

A queda de Vargas, em 1945 determinou a realização de eleições para a presidência da República. A disputa se polarizou entre o general Eurico Gaspar Dutra, apoiada por Vargas e Eduardo Gomes, apoiado pela UDN e pelos setores conservadores. Venceu Dutra.

A eleição do presidente foi feita simultaneamente à da Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição de 1946. Nesta eleição por exemplo a PSD elegeu a maior
bancada de Senadores e Deputados. A UDN foi à segunda agremiação da Assembleia e assumiu posições conservadoras. À esquerda ficaram PTB, o PCB, etc.

Pela primeira vez no Brasil os partidos tinham abrangência nacional com uma democracia liberal que controlou o movimento popular.

Apesar da modernização a que levou uma parte do país, deixou sérios problemas econômicos e sociais de herança para os governos seguintes, como a maior dependência em relação ao capital estrangeiro, índices elevados de inflação e custo de vida, divida externa considerável.

Sendo que uma das principais realizações do governo JK, destacadas é a contrição para a integração mais profunda da economia brasileira ao sistema capitalista ocidental, na direção de um desenvolvimento industrial acelerado, para cuja realização buscou-se atrair capital e tecnologia estrangeira.


Em resumo: O motivo é que subitamente, parecia que a esquerda havia ganho vida. Mais de 1600 sedes locais da Aliança Nacional Libertadora havia brotado (...). A plataforma da aliança, pedia o cancelamento das “dívidas imperialistas”, a nacionalização das empresas estrangeiras e a liquidação dos latifúndios. Os radicalizantes estavam igualmente ativos na direita. Um movimento fascista chamado Integralismo vindo por igual força...

Percebe-se que as pressões externas e internas pela abertura do Mercado Nacional aos investimentos estrangeiros, apontou uma das razões do esgotamento do modelo de desenvolvimento industrial nacionalista inaugurada com Vargas. O que se poderia questionar é a maneira como a questão foi formulada. ``A partir da segunda metade da década de 50...`` deve ser entendido como o período que corresponde ao governo de JK também foi de substituição de importações, deixando de ser nacionalista e deslocando os investimentos para o setor de produção de bens de consumo duráveis e não mais priorizando as indústrias de base. A posterior crise do desenvolvimentismo patrocinado por JK, esta ligada a fatores apontados em nenhuma alternativa: inflação, endividamento externo, pressão política e social de setores poucos beneficiados pelo modelo de desenvolvimento adotado.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quem foi Antônio Gonçalves Dias?







Índice

01- Quem foi Antônio Gonçalves Dias?
02- O grande amor - Ana Amélia
03- Julgamento crítico
- De Alexandre Herculano
- José de Alencar
- De Machado de Assis

04- Cronologia
05- Obras
06- Alguns poemas de Gonçalves Dias
07- Bibliografia


Introdução





Este é um trabalho realizado pelos alunos do 2º D do Ensino Médio do Colégio Cora Coralina, Luzia Godoi, Ana Carolina, Ítalo Mello e Wesley. Trabalho este que tem como objetivo apresentar aos professores e alunos a trajetória de vida de Antônio Gonçalves Dias, grande poeta que deixou gravada a sua história dentro da literatura brasileira.






Antônio Gonçalves Dias nasceu em Caxias, Maranhão, em 1823, filho de pai português e mãe provavelmente cafuza, Gonçalves Dias era um homem que se orgulhava de ter no sangue as três raças formadoras do povo brasileiro: a branca, a índia e a negra.




Após a morte do pai, sua madrasta mandou-o para a Universidade em Coimbra, onde ingressou em 1840. Atravessando graves problemas financeiros, Gonçalves Dias é sustentado por amigos até se graduar bacharel em 1844. Retornando ao Brasil, conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, grande amor de sua vida. Em 1847, publica os Primeiros Cantos. Esse livro lhe trouxe a fama e a admiração de Alexandre Herculano e do Imperador Dom Pedro II.





Para saber mais, acompanhe este trabalho e você saberá dados importantes e curiosos sobre a vida deste grande poeta da Era do Romantismo Brasileiro.




Antônio Gonçalves Dias, nasceu no dia 10/08/1823, em Caxias (Maranhão), filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça cafuza brasileira (o que muito o orgulhava de ter o sangue das três raças formadoras do povo brasileiro: branca, indígena e negra), e estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837. Iniciou seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado em uma escola particular.





Foi estudar na Europa, em Portugal em 1838 onde terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1840), retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar, ainda em Coimbra, participou dos grupos medievistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das idéias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho. Por se achar tanto tempo fora de sua pátria inspira-se para escrever a Canção do exílio e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama Patkull; e "Beatriz de Cenci", depois rejeitado por sua condição de texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil. Foi ainda neste período que escreveu fragmentos do romance biográfico "Memórias de Agapito Goiaba", destruído depois pelo próprio poeta, por conter alusões a pessoas ainda vivas.





No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria sua grande musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças românticas, inclusive "Ainda uma vez — Adeus" foram escritas para ela. Nesse mesmo ano viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de história e latim do Colégio Pedro II, além de ter atuado como jornalista, contribuindo para diversos periódicos: Jornal do Comércio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária.





Sua obra pode ser enquadrada no Romantismo. Procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o Indianismo.Por sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma idéia de Brasil a literatura nacional.


Litografia de Gonçalves Dias em rótulo de cigarro. Em 1849 fundou com Porto Alegre e Joaquim Manuel de Macedo a revista Guanabara, que divulgava o movimento romântico da época. Em 1851 voltou a São Luís do Maranhão, a pedido do governo para estudar o problema da instrução pública naquele estado.


Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852, mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor, refutou veementemente o pedido. No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro, onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Passou os quatro anos seguintes na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Voltando ao Brasil foi convidado a participar da Comissão Científica de Exploração, pela qual viajou por quase todo o norte do país.





Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil em 1864 no navio Ville de Boulogne, que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta que foi esquecido agonizando em seu leito e se afogou. O acidente ocorreu nos baixios de Atins, perto da vila de Guimarães no Maranhão.





Sua obra pode ser enquadrada no Romantismo. Procurou formar um sentimento nacionalista ao incorporar assuntos, povos e paisagens brasileiras na literatura nacional. Ao lado de José de Alencar, desenvolveu o Indianismo. Por sua importância na história da literatura brasileira, podemos dizer que Gonçalves Dias incorporou uma idéia de Brasil a literatura nacional.


O grande amor - Ana Amélia




Por ocasião da elaboração da antologia poética da fase romântica, elaborada por Manuel Bandeira, Onestaldo de Pennafort gentilmente escreveu a nota que segue, retirada daquela obra e aqui transcrita: " A poesia "Ainda uma vez --adeus,--" bem como as poesias "Palinódia e "Retratação" -- foram inspiradas por Ana Amélia Ferreira do Vale, cunhada do Dr. Teófilo Leal, ex-condiscípulo do poeta em Portugal e seu grande amigo.





Gonçalvez Dias viu-a pela primeira vez em 1846 no Maranhão. Era uma menina quase, e o poeta, fascinado pela sua beleza e graça juvenil, escreveu para ela as poesias "Seus olhos" e "Leviana". Vindo para o Rio, é possível que essa primeira impressão tenha desaparecido do seu espírito. Mais tarde, porém, em 1851, voltando a S. Luís, viu-a de novo, e já então a menina e moça de 46 se fizera mulher, no pleno esplendor da sua beleza desabrochada. O encantamento de outrora se transformou em paixão ardente, e, correspondido com a mesma intensidade de sentimento, o poeta, vencendo a timidez, pediu-a em casamento à família.





A família da linda Dona Ana - como lhe chamavam- tinha o poeta em grande estima e admiração. Mais forte, porém, do que tudo era naquele tempo no Maranhão o preconceito de raça e casta. E foi em nome desse preconceito que a família recusou o seu consentimento.


Por seu lado o poeta, colocado diante das duas alternativas: renunciar ao amor ou à amizade, preferiu sacrificar aquela a esta, levado por um excessivo escrúpulo de honradez e lealdade, que revela nos mínimos atos de sua vida. Partiu para Portugal. Renúncia tanto mais dolorosa e difícil por que a moça que estava resolvida a abandonar a casa paterna para fugir com ele, o exprobrou em carta, dura e amargamente, por não ter tido a coragem de passar por cima de tudo e de romper com todos para desposá-la!


E foi em Portugal, tempos depois, que recebeu outro rude golpe: Dona Ana, por capricho e acinte à família, casara-se com um comerciante, homem também de cor como o poeta e nas mesmas condições inferiores de nascimento. A família se opusera tenazmente ao casamento, mas desta vez o pretendente, sem medir considerações para com os parentes da noiva, recorreu à justiça, que lhe deu ganho de causa, por ser maior a moça. Um mês depois falia, partindo com a esposa para Lisboa, onde o casal chegou a passar até privações.


"Foi aí, em Lisboa, num jardim público, que certa vez se defrontaram o poeta e a sua amada, ambos abatidos pela dor e pela desilusão de suas vidas, ele cruelmente arrependido de não ter ousado tudo, de ter renunciado aquele que com uma só palavra sua se lhe entregaria para sempre. desvairado pelo encontro, que lhe reabrira as feridas e agora de modo irreparável, compôs de um jato as estrofes de "Ainda uma vez - adeus -" as quais, uma vez conhecidas da sua inspiradora, foram por esta copiadas com o seu próprio sangue."




Julgamento crítico

De Alexandre Herculano





“Os primeiros cantos são um belo livro; são inspirações de um grande poeta. A terra de Santa Cruz, que já conta outros no seu seio, pode abençoar mais um ilustre filho. O autor, não o conheço; mas deve ser muito jovem. Tem os defeitos do escritos ainda pouco amestrado pela experiência: imperfeições de língua, de metrificação, de estilo. Que importa? O tempo apagará essas máculas, e ficarão as nobres inspirações estampadas nas páginas deste formoso livro”.





“Abstenho-me de outras citações, que ocupariam demasiado espaço, não posso resistir à tentação de transcrever das Poesias Diversas uma das mais mimosas composições líricas que tenho lido na minha vida. (Aqui vinha transcrita a poesia Seus Olhos.) Se estas poucas linhas, escritas de abundância de coração, passarem, os mares, receba o autor dos Primeiros Cantos testemunho sincero de simpatia, que não costuma nem dirigir aos outros elogios encomendados nem pedi-los para si" ("Futuro Literário de Portugal e do Brasil" em Revista Universal Lisbonense, t.7,pág. 7 ano de 1847-1848).





De José de Alencar





"Gonçalves Dias é o poeta nacional por excelência: ninguém lhe disputa na opulência da imaginação, no fino lavor do verso, no conhecimento da natureza brasileira e dos seus costumes selvagens" (Iracema).


De Machado de Assis

“Depois de escrita a revista, chegou à notícia da morte de Gonçalves Dias, o grande poeta dos Cantos e dos Timbiras. A poesia nacional cobre-se, portanto, de luto. Era Gonçalves Dias o seu mais prezado filho, aquele que de mais louçania a cobriu. Morreu no mar-túmulo imenso para talento. Só me resta espaço para aplaudir a idéia que se vai realizar na capital do ilustre poeta. Não é um monumento para Maranhão, é um monumento para o Brasil. A nação inteira deve concorrer para ele”. (Crônicas em Diário do Rio de Janeiro, de 9 de novembro de 1894).







Cronologia





1823 - 10 de agosto: Nasce no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá, a 14 léguas da vila de Caxias, Antônio Golçalves Dias. Filho do comerciante João Manuel Gonçalves Dias, natural de Trás-os-Montes, e de Vicência Ferreira, maranhense.

1830 - É matriculado na aula de primeiras letras do Prof. José Joaquim de Abreu.

1833 - Começa a servir na loja do pai como caixeiro e encarregado da escrituração.

1835 - É retirado da casa comercial e matriculado no curso do Prof. Ricardo Leão Sabino, onde principia a estudar latim, francês e filosofia.

1838 - Parte para São Luís, onde embarcará para Portugal; chega em outubro a Coimbra e entra para o Colégio das Artes.

1840 - 31 de outubro: Matricula-se na Universidade.

1845 - Embarca no Porto para São Luís, aonde chega em março, partindo no dia 6 para Caxias.

1846 - Embarca para o Rio de Janeiro.

1847 - Aparecem os Primeiros Cantos, trazendo no frostispício a data de 1846.

1848 - Aparecem os Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão.

1849 - É nomeado professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II.

1851 - Publicação dos Últimos Cantos.

1852 - É nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros.

1854 - Parte para Europa.

1856 - Viagem à Alemanha. É nomeado chefe da seção de Etnografia da Comissão Científica de Exploração.

1857 - O livreiro-editor Brockhaus, de Dresda, edita os Cantos, os primeiros quatro cantos do poema Os Timbiras e o Dicionário da Língua Tupi.

1859 - 1861 - Trabalhos da Comissão no interior do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pará e Amazonas, chegando até Mariná, no Peru.

1862 - Parte para o Maranhão, mas no Recife, depois de consultar médico, resolve embarcar para Europa.

1862 - 22 de agosto: É desligado da comissão Científica de Exploração.


1862 - 1863 - Estação de cura em Vicky. Marienbad, Dresda, Koenigstein, Teplitz e Carlsbad.

Em Bruxelas sofre a operação de amputação da campainha.

1863 - 25 de outubro: Embarca em Bordéus para Lisboa, onde termina a tradução de A noiva de Messina, de Schiller.

1864 - Fins de Abril: Volta a Paris. Estações de cura em Aix-ls-Bains, Allevard e Ems (Maio, junho e julho).

1864 - 10 de setembro: Embarca o Poeta no Haver no navio Ville de Boulogne. Piora em viagem e no dia 3 de novembro: Naufrágio nas costas do Maranhão e morte de Gonçalves Dias.




Obras





1843: Canção do exílio

1846: Primeiros cantos

1846: Meditação

1846: O Brazil e Oceania (prosa)

1848: Segundos Cantos

1848: As sextilhas de Frei Antão

1846: Seus Olhos

1857: Os timbiras

1851: I-Juca-Pirama

1858: Dicionário da Língua Tupi chamada língua geral dos indígenas do Brasil.
Quem foi Antônio Gonçalves Dias?


Alguns poemas de Gonçalves Dias

Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Canção do Exílio



Olhos Verdes





São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma — vida, outra — morte;
Uma — loucura, outra — amor.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São uns olhos verdes, verdes,
Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do prado,
Mas verdes da cor do mar.
Mais ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como se lê num espelho,
Puder ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mim!
Quem foi Antônio Gonçalves Dias?

Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós, ó meus amigos,
Se vos perguntam por mim,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar:
Eram verdes sem esperança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que ai de mim!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!


Conclusão





Portanto, conclui-se que Antônio Gonçalves Dias pertence ao cânone romântico europeu na medida em que, com a sua obra de poeta e de escritor, concorre para as diretrizes principais do lirismo do século XIX, é isso não somente no enriquecimento da estética romântica, com a contribuição da lírica de tradição portuguesa, mas também pela expressão do homem romântico, dimensionada com uma nova sensibilidade de espontânea simplicidade, própria do mesmo.


Bibliografia


Blog: rosarodriguesjornalistaeradialista.blogspot.com


Montello, J. Para conhecer melhor Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: Block. 1973. 138 p.


Brait, B. Gonçalves Dias. São Paulo: Nova Cultural. 1988 (Literatura Comentada)







Quem foi Antônio Gonçalves Dias?

REALISMO NATURALISMO




Índice


01 - Introdução
02 – Características
– Romance realista
– Romance naturalista
– Poesia parnasiana
03 – Produção Literária em Prosa
– Machado de Assis
– A prosa de Machado de Assis – Primeira Fase
– Advertência
– A prosa de Machado de Assis – Segunda Fase
04 - Raul Pompéia
05 – Aluísio Azevedo
06 – Principais autores e obras
07 – Dez Exercícios Realismo
08 – Dez Exercícios Naturalismo
09 – Bibliografia



01 - INTRODUÇÃO


REALISMO NATURALISMO

Em 1857, mesmo ano em que no Brasil era publicado O Guarani, de José de Alencar, na França era publicado Madame Bovary, de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance realista da literatura universal. Em 1867, Émile Zola publica Thérèse Raquin, inaugurando o romance naturalista.

No Brasil considera-se 1881 como o ano inaugural do Realismo. Um ano fértil para a literatura brasileira, com a publicação de dois romances fundamentais, que modificaram o curso de nossas letras: Aluísio Azevedo publica O Mulato, o primeiro romance naturalista do Brasil; Machado de Assis publica Memórias Póstumas de Brás Cubas, o primeiro romance realista de nossa literatura. O Realismo se estende, na prática, até as duas primeiras décadas do século XX.

O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX. A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexos industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial. Essa nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas.

O Brasil também passa por mudanças radicais tanto no campo econômico como no campo político-social, no período compreendido entre 1850 e 1900, embora com profundas diferenças materiais, se comparadas às da Europa. A monarquia vive uma progressiva decadência; avança a luta abolicionista; desde a Guerra do Paraguai, organiza-se o movimento republicano notadamente entre os militares. O fim da mão-de-obra escrava e a sua substituição pela mão-de-obra assalariada, então representada pelas levas de imigrantes europeus que vinham trabalhar na lavoura cafeeira, originou uma nova economia voltada para o mercado externo.


02 - CARACTERÍSTICAS

As características do Realismo estão intimamente ligadas ao momento histórico, refletindo, dessa forma, a postura do positivismo de Augusto Comte, preocupado com o real-sensível, o fato; do socialismo científico de Marx e Engels, definindo o materialismo histórico e defendendo a luta de classes; do evolucionismo de Charles Darwin e sua teoria da origem das espécies, negando a origem divina defendida pelo cristianismo.

Assim é que o objetivismo aparece como negação do subjetivismo romântico e nos mostra o homem voltado para aquilo que está diante e fora dele, o não-eu; o personalismo cede terreno ao universalismo. O materialismo leva à negação do sentimentalismo e da metafísica. O Realismo só se preocupa com o presente, o contemporâneo. O avanço das ciências, influencia sobremaneira os autores da nova estética, principalmente os naturalistas, donde se falar em cientificismo nas obras desse período.

Ideologicamente, os autores desse período são antimonarquistas, assumindo uma defesa clara do ideal republicano; negam a burguesia a partir da célula-mãe da sociedade – a família; eis por que a insistência nos triângulos amorosos, formados pelo o pai traído, a mãe adúltera e o amante, que é normalmente um ¨amigo da casa¨; são anticlericais, destacando-se em suas obras os padres corruptos e a hipocrisia das beatas.

Finalmente, é importante salientar que Realismo é denominação genérica de um estilo de época, em que se podem perceber três tendências distintas, expostas a seguir:

01.1 - Romance realista

Cultivado por Machado de Assis, é uma narrativa mais preocupada com a análise psicológica, fazendo críticas à sociedade a partir do comportamento de determinados personagens. Por outro lado, o romance realista analisa a sociedade ¨por cima¨, ou seja, seus personagens são capitalistas, pertencem à classe dominante. O romance realista é documental, retrato de uma época.


01.2 - Romance naturalista



Cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Inglês de Sousa e Manuel de Oliveira Paiva, o romance naturalista é marcado por forte análise social a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando o coletivo. É tradicional a tese de que, em O Cortiço, o principal personagem não é João Romão, nem Bertoleza, nem Rita Baiana, mas sim o próprio cortiço, devidamente antropomorfizado. Por outro lado, o Naturalismo apresenta romances experimentais; a influencia de Darwin se faz sentir na máxima naturalista segundo a qual o homem é um animal; portanto, antes de usar a razão, deixa-se levar pelos instintos naturais.
Importante:

Como você observa, há vários pontos de coincidência entre o romance realista e o naturalista; diríamos até que ambos partem de um mesmo ponto X e ambos chegam ao mesmo ponto Y, só que percorrendo caminhos diversos. Inclusive podemos encontrar, numa mesma obra, determinadas posturas mais realistas convivendo com enfoques mais naturalistas, como no romance O Ateneu, de Raul Pompéia.



01.3 - Poesia parnasiana



Cultivada por Olavo Bilac, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho, a poesia parnasiana preocupa-se com o rigor formal e a objetividade.



03 - PRODUÇÃO LITERÁRIA EM PROSA

Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, em 1839. Seu pai era brasileiro, mulato e pintor de paredes; sua mãe era portuguesa e lavadeira. Frequentou por pouco tempo uma escola pública, onde aprendeu as primeiras letras; aos 16 anos publica o poema ¨Ela¨, em uma edição da revista Marmota Fluminense. Em 1869, casa-se com Carolina Xavier de Novais. Como funcionário público, teve uma carreira meteórica, que lhe deu tranquilidade financeira. Em 1897, realizando um velho sonho, é eleito presidente da recém-fundada Academia Brasileira de Letras. Após a morte de sua esposa , em 1904, o romancista passou a sair de casa raramente; sua saúde, extremamente abalada pela epilepsia, por problemas nervosos e por uma gaguez progressiva, contribuía para o seu isolamento. Morre em 1908, em sua confortável casa do Cosme Velho.

Costuma-se dividir a obra de Machado de Assis em duas fases distintas: a primeira fase apresenta o autor ainda preso a alguns princípios da escola romântica, sendo, por isso, chamada de fase romântica ou de amadurecimento; a segunda apresenta o autor completamente definido dentro das ideias realistas, sendo, portanto, chamada de fase realista ou de maturidade. Machado foi romancista, cronista, contista, poeta e crítico literário, além de deixar algumas peças de teatro. Nesse volume comentaremos apenas a prova machadiana.


01.1 - A prosa de Machado de Assis – Primeira fase


Pertencem à primeira fase os romances Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia.



Machado de Assis foi um ótimo crítico literário, principalmente de sua própria obra. Portanto, ninguém melhor do que o próprio autor para reconhecer a diversidade de caminhos trilhados; transcreve-se a seguir uma ¨advertência¨de Machado para a reedição de 1905 do romance Helena:



Advertência



Esta nova edição de ¨Helena¨sai com várias emendas de linguagem e outras, que não alteram a feição do livro. Ele é o mesmo da data em que o compus e imprimi, diverso do que o tempo me foi depois, correspondendo assim ao capítulo da história do meu espírito, naquele ano de 1876.


Não me culpeis pelo que lhe achardes romanesco. Dos que então fiz, este me era particularmente prezado. Agora mesmo, que há tanto me fui a outras e diferentes páginas, ouço um eco remoto ao reler estas, eco de mocidade e fé ingênua. É claro que, em nenhum caso, lhes tiraria a feição passada; cada obra pertence ao seu tempo.



(ASSIS, Machado de. Obra completa.
Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1986. p.272.)


Observa-se, portanto, que Machado nos dá a dimensão exsta das fases de sua obra, assumindo uma posição paternal ao comentar e se desculpar das obras da primeira fase, nostalgicamente relembradas como uma época de ¨Fé Ingênua¨, ingenuidade essa perdida ao trilhar ¨diferentes páginas¨, ou seja, páginas realistas.

No entanto, apesar de romanescos, os textos da primeira fase já indicavam algumas características das obras da maturidade: o amor contrariado, o casamento por interesse, um ligeira preocupação psicológica e uma sutil ironia.



01.2 - A prosa de Machado de Assis – Segunda fase



A esta fase pertencem as obras-primas do romancista e contista. A análise psicológica dos personagens, o egoísmo, o pessimismo, o negativismo, a linguagem correta, clássica, as frases curtas, a técnica dos capítulos curtos e da conversa com o leitor são as principais características dos textos realistas, ao lado da análise da sociedade e da crítica aos valores românticos.



Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra inovadora sob todos os aspectos; um livro revolucionário a partir da sua própria estrutura: são memórias ... póstumas! Ou seja, o narrador, já morto, rememora sua vida, constituindo-se, dessa forma, num defunto-autor – a narração é feita em primeira pessoa. Qual o objetivo de Machado ao criar um narrador que já está morto? Ora, para narrar sua vida com total isenção, Brás Cubas teria de estar totalmente desvinculado de qualquer relação com a sociedade, com a propicia um total descomprometimento, uma total sinceridade. Ironicamente, Brás Cubas assim escreve a dedicatória do livro:


Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.



Com o verbo no passado: roeu. O que significa que Brás Cubas não é mais nada, não existe, não deve satisfações a ninguém; é livre, soberano absoluto para pintar a vida, as pessoas, a si próprio.


O que faz do meu Brás Cubas um autor particular é o que ele chama ¨rabugens de pessimismo¨. Há na alma deste livro, por mais risonho que pareça, um sentimento amargo e áspero. (...) não digo mais para não entrar na crítica de um defunto, que se pintou a si e a outros, conforme lhe pareceu melhor e mais certo. (...)


04 - Raul Pompéia



Raul d Ávila Pompéia nasceu em 1863, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Aos dez anos de idade, transfere-se com a família para a cidade do Rio de Janeiro, onde é matriculado no Colégio Abílio, dirigido pelo o Dr. Abílio César Borges, Barão de Macaúbas. Em 1881 muda-se para São Paulo, matriculando-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Participa ativamente da campanha abolicionista e engaja-se na causa republicana. Em 1888 Raul Pompéia publica O Ateneu, em folhetim, na Gazeta de Notícias. Leva vida agitada, com várias polêmicas, inimizades e crises depressivas. Abandonado pelos amigos e caluniado nos meios jornalísticos, Pompéia suicida-se no dia de Natal de 1895.



Raul Pompéia, a exemplo de Manuel Antônio de Almeida, entrou para a literatura graças a um único livro: O Ateneu. Suas experiências anteriores se perdem diante da importância desse livro.



O Ateneu – crônica de saudades, como o próprio subtítulo indica, é um livro de memórias: a narrativa é feita em primeira pessoa (o que permite ao autor entrar no complexo mundo das revelações que só se fazem à consciência); Sérgio, o personagem-narrador, já adulto, narra seu tempo de aluno interno no Ateneu. E mais: trata-se de um romance com fortes traços autobiográficos; a fronteira entre ficção e realidade é muito frágil. As identidades são claras: Sérgio é Raul Pompéia; o Dr. Aristarco, diretor do Colégio, é na realidade o Dr. Abílio; O Ateneu é o Colégio Abílio.



O Ateneu é uma obra que permite duas leituras: uma no campo individual, fruto da vivência de Sérgio/Raul Pompéia como interno em um colégio de estrutura cruel (o homossexualismo, inevitável num internato só de meninos; a tirania do diretor; as frustrações e complexos e complexos que essa sociedade fechada provoca; outra no campo político-social, pois se ampliarmos esse universo, poderemos ver O Ateneu como a própria representação da monarquia e Aristarco como a personificação do governo. Ambas as leituras, no entanto, não podem ser vistas isolada e independentemente; ao contrário, elas se fundem, se interpenetram, se complementam. Ao final do livro, Raul Pompéia destrói O Ateneu: um dos meninos provoca um incêndio; é a destruição daquele mundo cruel e de seu criador, Aristarco; é a destruição daquela decadente representação da monarquia. Segundo Mário de Andrade, trata-se da ¨vingança¨de Raul Pompéia.



05 - Aluísio Azevedo



Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão, em 1857. Após os primeiros estudos em sua terra natal, vai para o Rio de Janeiro estudar pintura e desenho; trabalha como caricaturista na imprensa. Em 1880 inicia-se no romance, publicando Uma Lágrima de Mulher. No ano seguinte, choca a sociedade maranhense ao publicar O Mulato, primeiro romance naturalista de nossa literatura. Em 1895 ingressa na vida diplomática e abandona a literatura. Falece em Buenos Aires, Argentina, em 1913.



Por tentar profissionalizar-se como autor, Aluísio produziu uma obra propositalmente diversificada: de um lado. Os romances românticos, que o próprio autor chamava de ¨comerciais¨; os romances naturalistas, chamados de ¨artísticos¨. Os romances do primeiro grupo foram escritos para o consumo fácil, seguindo a tradicional receita folhetinesca. Ao segundo grupo, entre outros, pertencem os três romances maiores de Aluísio: O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão. Importante é observar que essa divisão não constitui fases, como no caso de Machado de Assis; Aluísio produzia os romances românticos e naturalistas alternadamente.


É como naturalista que Aluísio Azevedo deve ser estudo. Seguindo as lições de Émile Zola e Eça de Queirós, o autor escreve romances de tese, com clara conotação social. Percebe-se nitidamente a preocupação com as classes marginalizadas da sociedade, a crítica ao conservadorismo e ao clero e a defesa do ideal republicano.



Destaque para sua postura tipicamente naturalista ao valorizar sobremaneira os instintos naturais, comparando constantemente seus personagens a animais ou, em outras passagens, atribuindo comportamentos humanos aos animais: uma mulher tem ¨ancas de vaca do campo¨, um homem morre ¨estrompado como uma besta¨; outro tem uma ¨uma exalação de animais cansados¨; por outro lado, os papagaios, ¨à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente¨; para citar alguns exemplos retirados de O Cortiço.



06 - Principais autores e obras


Realismo


Artur Azevedo (1855-1908) – Amor por anexins; A pele do lobo; O dote; A princesa dos cajueiros; O literato; A mascote na roça; O tribofe; Revelação de um segredo; A fantasia; A capital federal (teatro).



Machado de Assis (1839-1908) – Primeira fase: A mão e a Luva; Helena; Iaiá Garcia (romances); (...) - Segunda fase: Memórias Póstumas de Brás Cubas; Quincas Borbas; Dom Casmurro; (...).



Raul Pompéia (1863-1897) - O Ateneu; Uma tragédia no Amazonas; Agonia; (...).
Naturalista .



Adorno Caminha (1867-1897) – A normalista; O bom crioulo; (...).



Aluísio Azevedo (1857- 1913) – Uma lágrima de mulher; O mulato; Casa de pensão; O cortiço; (...).



Domingos Olímpico (1850-1906) – Luzia-homem.