terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Análise do filme: A opinião pública de Arnaldo Jabor



O
filme A opinião pública de Arnaldo Jabor, trata-se de uma análise mental e comportamental de cidadãos brasileiros, da década de 60, cuja sociedade era formada pela a classe média, ingênua, dotada de um grande conservadorismo, pois naquela época a sociedade vivia sobre o efeito da Ditadura Militar (1964).

As pessoas destacadas no vídeo-documentário “A opinião pública” faziam parte de uma sociedade menos privilegiada, onde só tinha importância à nata burguesa. A opinião pública era a oportunidade para muitos exporem seus pensamentos, mesmo se tratando de uma época de grandes repressões no país.

A opinião pública brasileira data de um período, onde a sociedade acompanhava os primeiros passos da liberdade de expressão mesmo que vigiada.

O filme “A opinião pública da continuidade ao poder de expressar ideias e pensamentos, partindo do princípio da filtragem da informação exposta cotidianamente.

O A opinião pública de Arnaldo Jabor faz parte da reflexão de tudo aquilo que a mídia expõe e o cidadão ver e ouve e que automaticamente toma suas decisões, afinal; o cidadão de ontem e hoje continua em busca de transformações, isso é opinião pública.

Imprensa e organização: Armando Medeiros de Faria


O assessor de imprensa é especializado na leitura dos conflitos sociais e na linguagem jornalística. Mantendo sempre alerta ao que dizer e como dizer a quem vai transmitir a informação. É um profissional pragmático pois ele está sempre atrás de informações e ao mesmo tempo fornecendo-as com credibilidade e ordem nos argumentos a oferecer.

O assessor de imprensa é responsável em abrir os muros das organizações para o mundo. É o interlocutor interno que assumi a função de tradutor do olhar externo sobre a instituição. Leva informação a diferentes interesses e assim cristaliza valores. Limita os efeitos negativos, pois ele é a visão interna da organização. Ele agenda os assuntos com a mídia e ao mesmo espaço de tempo ele é um analista desde cenário, rever se dentro dessa organização existem as fontes.

1 – FONTE VAIDOSA - aquelas que se preocupam com as plumas e patês. O parecer em benefício próprio.

2 – FONTE MEDROSA – que teme o tratamento negativo com a mídia.

3 – FONTE ARROGANTE -
que é capaz de desprezar ou ignorar o fator imprensa na gestão de negócios e empreendimento.

Ele esta ali para unir visões fragmentadas. Ele trabalha com a urgência dos fatos exigidos pela redação a qual ele é fonte.

O assessor de imprensa detecta os movimentos e as reações das fontes internas no tratamento da mídia, por outro lado.

As organizações encaram o relacionamento com a imprensa da seguinte forma:

quais os efeitos da mídia na modelagem da imagem? (Agenda setting) – normalmente, o efeito associa ao consumo de jornais locais e não aos noticiários televisivos. Os meios de comunicação são dotados de um poder de influencia diferente: na TV, tudo torna-se limitado, há um curto espaço de tempo. São rápidas, heterogêneas. Não há tanta explicação a dar, reduz a importância e a significação do que é transmitido. Por outro lado, os impressos oferecem uma vasta gama de espaço para direcionar direitos de perguntas e respostas, é de conteúdo mais sólido. Torna-se o banal em algo reflexivo. A agenda – setting leva a reflexão particular. Mexendo com aspectos psico/sócio e policológico.
O filme Mera Coincidência gera uma grande reflexão de como a imprensa deve ou lidar com a forma de fazer notícia.

Coloca em xeque-mate a perspectiva das organizações de encarar a imprensa como interlocutora central na comunicação com seus políticos. Fazendo entender-se a como imprensa como uma entidade homogenia e indiferenciada.

Por que a mídia exclui uns e valoriza outros assuntos? (Valor da Notícia). Observa: O caso da faculdade e do beija-flor/caso Sandro enquanto era divulgado em rede nacional o sequestro, acontecia muito mais tragédias não só no Rio/SP, mas em todo o Brasil.


Como o público-alvo ou clientes estratégicos são atingidos pela mídia? (Opinião Pública), especialistas acreditam que a O.P tem efeito de manipular, pois ela é instrumentalizada ao resultado, que a sua argumentação é limitada ao sim ou ao não. Ela simplesmente busca atingir seus objetivos específicos, numa vasta cobertura, a fim de avaliar o sucesso próprio e vendê-la. São promovidas por instituições de poder e autoridades, portanto seu caráter é administrativo. Os fatores relativos com a audiência é interesse público pela informação. Ele tem uma percepção de aceitar só que lhe interesse. As organizações tem um bom número de conhecimentos sobre a mídia.

Tentáculos da mídia


Quando uma organização estabelece relacionamento com a imprensa ativa e reativa. O pressuposto desses movimentos é que a “mídia tem poder”, e nesse caso começa a percepção generalizada de que, publicada, a noticia tem efeito instantâneo, automático.

O assessor atua no calor dos fatos ele ajuda a construir a “Teoria Hipodermica”. A teoria hipodérmica estuda o objetivo de comportamento humano com base nas suas experimentações e observações das ciências naturais e biologicas. Ou seja; quem? Através de que meio (Canal)? Com que efeito? Ele age sobre o psicológico com as pesquisas, estimula e obtém a resposta (Feedback).Estímulo é igual a causa e resposta (E.R). Assim ele cultiva adeptos. Notícia boa é a ruim – O valor-notícia como bem lembra Nelson Traquina (1993): O público alvo absorve só aquilo que é do seu interesse, ele nem sempre busca a verdade e quando descobre é por meio da mesma fonte de informação. Ele é movido pelo 4º poder o tempo todo, ele acaba sendo um indivíduo alienado (desconhecido) da sua atual realidade. Entra aí a teoria da propaganda sobre a propaganda. Qual meu público alvo: E assim levá-lo ao consumo. E leva-o a abordagem empírica – experimental ou da persuação.

O valor notícia

Primeiro são os critérios de seleção dos elementos dignos de serem incluídos no produto final, desde o material disponível até a redação.

Em segundo lugar, funcionam como linhas-guia para a apresentação do material, sugerindo o que deve ser realçado, o que deve ser omitido, o que deve ser prioritário na preparação das notícias a apresentar ao público.

São regras praticas que abrangem um corpus de conhecimentos profissionais que direciona os procedimentos o operativos redacionais. O valor notícia está presente nas interações cotidianas do jornalista. O valor notícia nada mais é do que qualidades dos acontecimentos, ou da sua construção. A distorção dos fatos estão ligados a produção e aos valores profissionais.

“O jornalismo tenderá a realçar os elementos extraordinários, dramáticos, trágicos, etc., para reforçar a sua notabilidade. (...) E acontecimentos que tenham um número desses valores-notícia terão maior potencial noticioso do que os outros.

Não se noticia que milhares de aviões levantaram vôo e pousaram normalmente nos aeroportos, sem nenhum acidentes, mas se estes levantaram vôo tiveram uma pequena derrapagem, já é fato para levantar pauta e consequentemente polêmica. A edição em muitos casos seguem o que a empresa pretende passar e nem e sempre o que é verdade. O valor da notícia (BBB). O caso Sandro Nscimento, do ônibus 174 que fazia linha Jardim Botânico, Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2000.


1 – Dramaticidade provocada ou dramaticidade simulada?
2 – Erro. Erro prematuro; imperdoável. Impensável.
3 – Cálculo mal planejado que despertou na população a vontade de fazer justiça com as próprias mãos.
4 – A polícia mata enfrente as câmeras.
5 – Mata a professora Geise e mata Sandro do Nascimento.
6 – Espetáculo.
7 – Espetáculo para a mídia.
8 – Eles mataram porque estão acostumados a matar.
9 – E quem ia defender o Sandro?
10 – O velório acompanhado pela população.
11 – O velório acompanhado pela 2ª mãe e o coveiro do cemitério.
12 – Essa é a função da mídia para a construção da realidade atual. Esse é o valor da notícia?

Em busca do público

Qual mídia escolher para atingir públicos cada vez mais pulverizados? Um exemplo; a propaganda. Seguindo uma escala cada vez maior.

As notícias são elaboradas a diferentes nichos de clientes. Para (Pierre Bourdieu, que faleceu no dia 9 de março de 2007), a mídia na sua opinião regia perante a opinião pública de acordo com as três problemáticas das organizações, que são elas:

1º - Intervenções das organizações

Na mídia participam funcionários, clientes, fiscalizadores e reguladores. Coloca em xeque-mate a perspectiva das organizações de encarar a imprensa como interlocutora central na comunicação com seus públicos.

Entende-se como imprensa uma entidade homogenia e indiferenciada. Mostra que as mídias oferecem poder de agendamento. Isso faz identificar a agenda-setting.

2º Como enfrentar a Opinião Pública? (O.P)

Exigem estudo mais denso sobre atitudes e hábitos dos receptores-consumidores de informações. Portanto o impasse perante o conceito de (O.P) e a busca de identidade com o receptor estão presentes nos quadros dirigentes e fontes.

O papel do assessor é canalizar informações em alta velocidade, dentro da realidade em que se encontra; mesmo assim a imprensa nem sempre é o único ou melhor meio para a comunicação.

Narcotizar o indivíduo, excedendo suas ideias, deixando esse público às vezes sem rumo, gera o conformismo. O assessor de imprensa é um jornalista especializado por tanto em lidar com verdades alheias e está visado perante a sociedade. Ele não é a lei, dessa organização. Ele é o interlocutor interno e externo, mas os fatos cedidos ao público é de competência dos órgãos especializados a dar a resolução. Pois a sua verdade não é absoluta e sim relativa. Alguém pode questioná-la.

Nossa imprensa de cada dia


A imprensa deveria ir mais fundo na apuração das irregularidades, deveria dar mais evidência às injustiças e falcatruas que se cometem contra o cidadão comum. Deveria expor a realidade de forma nua e crua, sem rodeios. Por outro lado, a imprensa deveria também evitar a incitação de linchamentos morais, seu poder deveria ser utilizado de modo mais criterioso, e a busca do furo não deveria justificar suas frequentes precipitações.

Critica-se o jornalismo por ser omisso e invasivo, por ser comprometido e irresponsável ao mesmo tempo. Falsa contradição, em grande medida, que só pode ser superada pela evolução quantitativa da própria mídia.

Não se trata de uma vaga constatação. Caso raro de polemista destemido, mas avesso a dogmatismos, a imprensa na sua militância crítica, alcança no entanto, toda uma série de outros “pequenos assassinatos” que a imprensa comete a cada dia por prepotência outras meras pressas.

Dos anos 50 a meados dos anos 60 o jornalismo foi refém dos partidos políticos. De meados dos anos 70, refém da ditadura.

Nos anos 80, refém dos movimentos organizados. Em final dos anos 80 descobriu uma verdadeira vocação em uma sociedade de mercado moderno: ser representante dos interesses difusos da sociedade, contra os interesses políticos, corporativos e setoriais.

O passo seguinte foi ver como um produto, que tem que responder às expectativas do seu público. A mídia passou a recorrer a departamentos de pesquisas, a leituras imediatistas do que as pesquisas mostravam, a tentar atender as demandas de curto prazo do leitor. E aí se tornou refém do pior censor: a ditadura da opinião pública ou, melhor, de atuar passivamente oferecendo ao leitor aquilo que se pensa que ele quer.

Este é o grande dilema da imprensa de opinião no século 21: atender às expectativas imediatas do leitor ou ser guardiã dos valores da civilização? Se o leitor pede linchamento, ele lhe será oferecido? Como definir as relações com o público, sabendo-se que o participante do jogo de mercado, defendendo da audiência para se viabilizar economicamente? Como impedir que o jornalismo de opinião, intuição essencial para o país, não se contamine definitivamente com o espetáculo tornando o jornalismo num “Reality Show” diário e, ao mesmo tempo, não se torne maçante, a ponto de ser apreciado por meia dúzia de eleitos?

Este é o desafio. Como jornalista, aprendemos a utilizar no limite uma ferramenta que o jornalismo tem como ninguém: a capacidade da meta-crítica, do ajuste rápido. Estruturas hierárquicas, como o judiciário, a universidade, o setor público como um todo têm dificuldades para correções rápidas de rumo. A política se renova a cada quatro anos. Na mídia, não há campanha, por mais ampla e sistemática que seja, que revista a um bom argumento colocado individualmente por um jornal. Esta é a maior virtude da imprensa, essa capacidade e rapidez para o auto-ajuste, a auto-regulação. Nos últimos anos essa capacidade foi embotada inicialmente por uma competição baseada na emulação por toda a mídia dos padrões vitoriosos. Depois, pela consolidação do market share dos principais jornais, e o receio de mudar o modelo e perder participação.

Criou-se uma estratificação daninha. Toda manhã cada jornal tem seu jornalista lendo os concorrentes e comparando as notícias. Se o repórter utilizou o mesmo enfoque do concorrente, não será incomodado, ainda que esteja errado, porque estará errado com a maioria. Se buscar o enfoque original, será cobrado ainda que esteja certo. E se a verdade demorar a aparecer, provavelmente o repórter não terá espaço nem tempo de cobertura para fazer valer a sua verdade. Criou-se um círculo vicioso. Ocorre o episodio. De cara, forma-se o juízo e apresenta-se a conclusão.

Empreendedor de sucesso


Para ser considerado um bom empreendedor, é necessário que este tenha visão de mercado e principalmente dá área em quem pretende atuar. Portanto é preciso que ele seja uma pessoa bem informada, que tenha espírito competitivo, um grande visionário do seu futuro, que tenha ou não uma formação acadêmica, mas que saiba principalmente entender de economia e gestão de negócio sempre com muita cautela.

Jornalista Rosa Rodrigues
14 de fevereiro de 20011


Guia para edição jornalística de Luiz Costa Pereira Junior



Guia para edição jornalística de Luiz Costa Pereira Junior


Professor universitário
Especialista pela Universidade de Navarra, no Curso Máster de Jornalismo para Editores
Trabalhou oito anos no Estado de S.Paulo como repórter e editor
Criador e editor da Revista Língua Portuguesa
Escritor de grandes obras como: Apuração da Matéria, pela editora Vozes entre outros.

Edição de fotos


A
fotografia é a construção, registro, o artifício, a testemunha da realidade. É a expressão do acaso, controlado.

É mais fácil a pose do que o movimento. Muito cuidado, pois a foto posada pode gerar conflitos entre algo descoberto importante.

O fotojornalismo busca o plus de naturalidade contido no imprevisto, é uma construção elaborada por um profissional. A escolha da lente, do diafragma e da própria câmera pode afetar o resultado. Pois este busca o momento em que o ato desperta o olhar distraído. O instante significativo, pode ser recortado somente pelo fotógrafo e pelo editor.

Ao fotografar não sedeve pensar só no que é registrado, como a também significação que tal imagem transmitirá a quem a veja. A imagem depende do próprio repertório. A edição traz fragmentos congelados, mas confere uma lógica própria.

O equilíbrio entre o que percebemos e queremos é um conceito dado ao objeto e o efeito obtido pela forma. O que para Ivan Lima, significa a ilusão de cena congelada.

Os elementos básicos da fotografia

Pontos, linhas, formas e texturas (sentimentos e sentidos)


Contexto

Não é raro o caso em que texto, por melhor e mais informativo,perde importância e espaço na página por falta de imagem. Uma matéria frágil ganha vitalidade com boa foto. Às vezes pode ser um pequeno texto que a foto dará o valor ao acontecimento.

A foto, sozinha, não estimula o imaginário. Segundo Lucia Santaella e Winfred Noth, em muitos casos há uma estratificação entre imagem e texto.

1 – Imagem inferior ao texto – só completa.
2 – Imagem superior ao texto – ela domina, é mais informativa.
3 – Imagem e texto – se bem integrados, informam.

A imagem tem sua significação modificada pelos títulos, textos legendas e diagramação, pelo contraponto com outras fotos na mesma página e edição, pela reutilização em contextos diferentes da situação original. O seu objetivo é controlar a leitura que será feita dela.

Kossay observa que pela a composição entre imagem, texto, edição da foto só promove “um conteúdo transferido de contexto”, pois um “novo documento” é derivado da foto original e provoca uma interpretação específica, uma “ficção documental” é forjada.

Quando o texto e imagem são dispostos lado a lado, não edição de duas mensagens informativas distintas. Deriva uma nova interpretação. Não há um dueto entre texto e imagem que interfira na imagem. O efeito desejado é dar impressão de relação causal.

A foto jornalística,é “polissêmica”, feita para não dar margem a mais de um sentido interpretável, a foto deve possibilitar múltiplas interpretações.

Mas ela acaba dando imagem fotográfica e duplo sentido. O texto, a legenda, o titulo, ancoram um sentido específico.


Estrutura da composição

a) – Extra quadro > extrapolação dos limites do quadro a partir de elementos contidos no próprio quadro.
b) Assujeitamento > momento do objeto encarar a objetiva e ele se nega.
c) Sutura > inclui a câmera no grupo fotografado (ato cirúrgico). Dá se a ilusão de que o observador participa da ação.
d) Jogo de linhas > linhas horizontais sugere tranquilidade.
e) Jogo de linhas > linhas verticais, movimento e atividade.
f) Jogo de linhas > profundidade
g) Arbítrio > o local onde faz a foto torna-se também sua importância.
h) Perspectiva > 3ª dimensão na fotografia.Inclui jogos de linhas, formas e luzes.
i) Efeito figurativo > formam enfileiradas dando a ilusão de profundidade.
j) Efeito linear > mais alta a linha horizontal, maior a ilusão tridimencional.
k) Efeito luminoso > sensação de profundidade ocorre quando a zona mais escura está próxima, em primeiro plano, ficando mais clara à medida que os objetos se afastam da objetiva.
l) É aconselhável usar uma foto por página de preferência a melhor.
m) Contraste > ângulos longos, fechados contra-abertos, grupos contra indivíduos, vistas gerais, dando ou não dramaticidade.

A palavra interfere na imagem e por isso ela mudou a leitura dos jornais.
A chegada da foto tirou espaço do texto, consumiu menos tempo para a compreensão dos fatos. Ela é a verdade factual do mundo.

Virtualidade e ética

No século 20, ângulos planos, produtos químicos afetaram o produto final.
Com a digitalização a imagem tornou-se mais sofisticada. Podendo interferir nessa imagem ao ponto de manipulá-la. Os recursos tecnológicos atingiram o coração do estatuto da verdade.

É preciso ser muito profissional e ético para fazer o melhor sem trair o leitor que vai ler e conhecer a história exposta no impresso de sua preferência.

Teorias da comunicação: Conceitos, escolas e tendências


Teorias da comunicação
Conceitos, escolas e tendências
Antônio Hohlfeldt, Luís C. Martinho e Vera Veiga França


Dependendo da mídia, sofremos sua influência, não a curto, mas a médio e longo prazo, não nos impondo-a determinados conceitos, mas incluindo em nossas preocupações certos temas que, de outro modo, não chegariam a nosso conhecimento e, muito menos, tornar-se-iam temas de nossa agenda.

A mídia tem poder de centralidade, de colocar como algo importante determinado assunto, dando-lhe não apenas relevância quanto hierarquia e significado.

Um fator que marca essa centralidade é a tematização, ou seja, a forma dos desdobramentos que a notícia sofre, conhecida como (suíte) a medida que a informação vai se desdobrando ela vai recebendo atenção privilegiada do receptor.

E assim cada um dá a sua própria atenção e seus respectivos valores. O que chamamos de saliência ao assunto.

De acordo com o pesquisador Kurt Lewin, as recusas ou aceitação de um acontecimento enquanto que notícia dependeria muito de uma espécie de conceito difuso da informação.

Por tanto, admiti-se que os processos de comunicação têm em si mesmos uma função de controle social desenvolvido a partir do estabelecimento de praticas socializadas entre seus profissionais.

Para qualquer momento da busca de informação o convívio com os pesquisadores é fundamental, porque leva à familiarização com o grupo e as rotinas ali desenvolvidas, numa perspectiva de naturalidade, até o momento em que, tendo-se identificado plenamente o grupo, deve-se distanciar do mesmo para poder manter o equilíbrio observador e crítico sobre tais práticas.

Noticiar é um processo organizado que implica uma perspectiva pratica dos acontecimentos. É um processo de descontextualização e recontextualização de cada fato,enquanto narrativa jornalística.

Por isso, a notícia está regrada por valores-notícia, conjunto de elementos e princípios através dos quais os acontecimentos são avaliados pelos meios de comunicação de massa e seus profissionais. Os valores-notícia (News Vallue) não podem e nem devem ser analisados isoladamente. Estes reúnem um conjunto de cinco qualidades dos acontecimentos que permitem uma construção narrativa.


1º categorias substantivas

A importância

A nível de grau de hierarquia dos indivíduos envolvidos no acontecimento. Impacto sobre a nação e o interesse nacional, quantidade de pessoas envolvidas, relevância e significação do acontecimento quanto à sua potencial evolução e consequência.

Interesse

A capacidade de entreter grupos, de forma equilibrada com a notícia. Não muito positiva e alegre e nem negativa e triste.

2º categorias relativas ao produto (notícia)

A brevidade ou melhor, a notícia deve estar adequada com cada meio a ser divulgada. Sem que haja desvio de informação e para assim facilitar na construção de suíte.

Muitas vezes, o profissional dispõe a informação, por exemplo, fornecida em off, mas não pode usá-la até aquele determinado momento em que ela está na eminência de se tornar pública. Essa prática é muito observada e cobrada dentro do jornalismo investigativo, levando em conta qualidade narrativa, equilíbrio e a forma de apresentar.

3º categorias relativas aos meios de informação

Bom material visual e textos devem ser equilibradas,por isso ter acesso a fontes e ao local do acontecimento pressupõe a continuidade daquela cobertura. Por tanto, o seu formato é de total importância, (introdução, desdobramento e conclusão).

4º categorias relativas ao público

Na estrutura narrativa, exige-se clareza, identificação dos personagens envolvidos, deve atender além de informação a uma prestação de serviços e evitando criar traumas, pânicos ou ansiedade, a protetividade é fundamental.

5° categorias relativas à concorrência

Jornalista em primeiro lugar escreve e divulga para jornalista ler e ver. Há uma grande preocupação em descobrir qual a pauta do seu concorrente. A competição é acirrada entre empresas e pessoas envolvidas. A exclusividade ou o furo ainda é o alvo destes profissionais.

Nota-se com essa concorrência total despreparo para a informação, a cópia prevalece e prevalecerá por muitos anos, pois muitos preferem estabelecer padrões ou ter como referência alguns modelos.


E hoje com o boom das tecnologias avançadas, o profissional corre menos em busca de contato com a fonte ele recorre sempre ao telefone e a internet. De modo geral, a televisão e o jornal ouvem o rádio; mas a televisão e o rádio lem o jornal. Apresentam papéis alternativos.


Em conclusão sobre o tema Valores-Notícias a perspectiva das chamadas teorias empíricas, em especial aquelas de campo,já levaram em conta, de certo modo, tais perspectivas, ao chamarem a atenção para o fato de que o processo informacional, mais do que uma relação equilibrada entre emissor e receptor, amplia-se, a partir do emissor primeiro.

Onde e como funcionam o lugar onde se produz a notícia?


Acontece nas redações de um veículo de comunicação;

Funciona de acordo com determinado veículo, cada veículo define sua rotina produtiva de acordo com sua realidade econômica;

É o lugar onde se organiza as informações para então virar notícia.

Redação

É um local onde se produz a notícia e não onde acontece a notícia;

Não é único lugar onde se decide o destino da notícia, pois ela sempre será influenciada na sua decisão final;

É um ambiente onde deve mostrar os aspectos da realidade;

Lugar parecido com escritórios de empresa privada como outra qualquer.


O jornalista e o cozinheiro



Lida com produtos instáveis;

O acontecimento nunca é o mesmo;

O jornalista deve pensar no que pode ser importante ou não para seu público.

Produtos estáveis;

Há uma mistura de ingredientes;

Essa mistura é importante para sair um alimento perfeito.


Interesse e importância


O que é interessante para uma imprensa local pode não ser para uma imprensa nacional.

O que é importante para um jornal pode não ser para uma emissora de TV ou vice-versa.


No caminho da redação


Existe um padrão hierárquico em todo veículo de comunicação:

Pauteiro (garçon);

Repórter (cozinheiro);

Editor (gerente);

A notícia nasce de uma pauta;

Passa pelo repórter;

E chega ao editor (é ele quem decide o que vai ser notícia ou não, de acordo com critérios técnicos para ficar no padrão do veículo).


Sobre as pautas

De milhares que chegam ao veículo apenas um décimo é transformada em matéria e desta, a metade será aproveitada para edição final;

O jornal deveria ser o espelho do mundo, mas hoje ele só consegue ser um pedaço de caco desse espelho;

O veículo só consegue mostrar uma visão geral dos acontecimentos.


O jornal impresso


Na década de 30 era o único meio de informação;

Com surgimento do rádio e da TV, diminuiu suas tiragens, por causa da modernização, do surgimento do jornalismo industrial;

Continua sendo o que sempre foi (espaço para divulgação de notícias, idéias, visões de mundo e principalmente por seus anúncios em classificados e campanhas publicitárias).


Exemplo de uma rotina em redação

Às 9h da manhã chegam os repórteres;

Em seguida eles se reúnem com o editor para a distribuição de tarefas;

Esse grupo é o da Editoria de Cidade que envolve 12 repórteres (mas só seis estão neste momento).

Mais tarde chegam mais quatro e depois os outros dois são setoristas (cobrem governo e o legislativo local);

O supervisor chega no final da manhã para participar de uma reunião com o editor e o pauteiro;

Depois é a vez do “copidesque” (redator) finaliza o material com uso de legendas em fotos, títulos e o texto em geral;

11h chega o editor, que faz uma reunião com o pauteiro e o subeditor para fazer o fechamento da Editoria de Cidades.


A explosão da rotina


Não é uma norma a rotina de um jornal;

Às vezes precisa improvisar outra rotina em função dos fatos;

E quando outros acontecimentos importantes obrigam o veículo a mudar sua rotina pra cobrir os fatos imprevistos (ex: 11 de setembro);

Essa explosão modifica as relações do jornal com suas fontes tradicionais.

Pauta externa

Quem recebe a sugestão de pauta externa é o próprio pauteiro;

Quando a pauta vale a pena ele sempre dá um jeitinho de encaixá-la no jornal;

Todos os dias chegam muitas pautas elaboradas por assessores de imprensa, relações públicas, divulgadores culturais e outras pessoas de diferentes áreas, mas nem sempre é possível encaixar uma pauta.



Decidindo o que é notícia


É quando o editor retorna a reunião geral com a Equipe da Editoria de Cidade para definir juntos os detalhes da edição para então mandar o material para gráfica.

Após o trabalho finalizado, o que aparecer fica para outro dia;

Ou seja, a redação só funciona em equipe.